04 fevereiro 2016

Tenho andando sem tempo para a infelicidade



Que me desculpe quem vive da infelicidade alheia, mas se depender de mim, você nunca vai ter a chance de rir da minha desgraça. Não mais. E não é por superficialismo, não; é que na minha vida não há mais espaço para um rosto cheio de dobras que entregam os meus pesadelos do dia a dia para a primeira pessoa que passa.

Tudo bem, eu não sou hipócrita de dizer que sou cem por cento feliz e satisfeito com tudo, ninguém é. Mas eu tento, e tento tanto que qualquer pessoa é incapaz de perceber as minhas fragilidades quando ficam em evidência. E ó, para ser assim tem que ter talento, viu? Mas eu garanto que todo mundo, se quiser, consegue.

A verdade é que eu já estive dentro do quarto escuro da vida, onde o breu carregado de decepções me abraçava e a solidão ria ironicamente no pé do meu ouvido. Eu já me doei para pessoas que em troca, só me fizeram sentir arrependimento; já dei valor a quem nada valia, já esperei por abraços que nunca vieram, por apoios que nunca existiram e também por olhares que nunca se cruzaram com os meus.

Sim, eu já dediquei meu tempo para amenizar as dores daqueles que na primeira oportunidade, jogaram areia nas minhas feridas. Já senti a poeira de uma porta batida com força na minha cara sujar o meu rosto, e até eu mesmo já o sujei algumas várias vezes com umas lágrimas encardidas, lágrimas que saíam de dentro da minha alma espremida pelas mãos da vida que nem sempre é tão bela assim.

Preciso-te dizer que por muito tempo desejei ouvir um “ó, se preocupa não, eu estou aqui e vou ficar até essa tempestade passar.” de qualquer pessoa que fosse, até que, quando cheguei à beira do abismo da minha dependência alheia, eu decidi por um ponto final nesse caos todo. Cansei de criar expectativas hipérboles em cima de pessoas que sempre foram poucas demais. Aprendi da maneira mais difícil que quando esperamos demais das pessoas, acabamos esquecendo que só quem pode dar o que nós precisamos de verdade, somos nós mesmos. Parece clichê e é. Porque o clichê é a realidade que a gente ignora. É aquilo que a gente sabe como é, como funciona e como deve ser, mas preferimos acreditar que com a gente tudo vai ser diferente. Normal. Mas se dar conta de que a nossa maior dependência deve ser a de nós mesmos é complicado. E só conseguimos nos proporcionar isso, quando saímos da nossa bolha e passamos a encarar a vida com mais força e vontade de viver.

E foi desta maneira que eu passei a buscar em mim, o que ninguém pôde me dar: a felicidade. Os amigos, os amores e as pessoas num modo geral, passaram a ser apenas conseqüências da pessoa incrível que eu me tornei; porque sim, hoje eu tenho o ego e o orgulho de reconhecer que sou um cara incrível. Hoje eu sei qual é o meu valor e não é qualquer julgamento, opinião crítica ou um dedo apontado que vai me fazer parar de lutar pelo que quero e acredito nessa vida. Os sonhos que eu criei dentro de mim são o combustível para a minha permanência na difícil tarefa de tentar, tentar, tentar, até conseguir realizá-los.

Aprendi também que ninguém precisa saber que estou triste, que meu relacionamento vai mal, ou que briguei com a minha mãe ontem à noite. Isso são problemas que pertencem apenas a mim e, a menos que você seja um grande amigo, não vai ficar sabendo nem mesmo através do meu mural no Facebook. É que eu preservo os meus momentos difíceis ao invés de sair por aí estampando nas paredes de computadores e celulares de pessoas que só precisam de um motivo para se sentir melhores (com o fracasso alheio).

Outra coisa que aprendi foi limitar o acesso de pessoas na minha vida. Muitos passam por aqui, mas poucos ficam. A porta do meu coração só é aberta para alguns, só para os verdadeiros e os verdadeiros hoje em dia, infelizmente são raros; estão em extinção. Por tanto, se você é um desses que tem presença confirmada no meu dia, na minha vida e constrói junto comigo a minha história, comemore, pois és importante de maneira incalculável para mim.

Sabe, quando a gente compreende que a vida é difícil, mas que cabe a nós, tentarmos simplificá-la, tudo passa a ser mais objetivo e fica em nossas mãos a responsabilidade de sermos felizes. A expectativa aponta para o nosso reflexo e não mais para os outros que na maioria das vezes, estão pouco se lixando para o que sentimos. E essa compreensão é incrível porque quando a gente vive em busca da nossa felicidade para obter uma vida plena, leve e tranqüila, passamos a viver em constante aprendizado. Porque afinal, ser feliz é ser humilde o suficiente para se permitir aprender com os erros e os acertos. Ser feliz é ser acessível a tudo e a todos.

Hoje eu tento cultivar alegria em abundância porque a vida é muito melhor quando a gente está sorrindo. Por tanto, até quando estou triste, procuro abrir um sorriso, por mais singelo que ele seja. Acredito firmemente que assim, sorrindo e não sendo tão vulnerável a ser um objeto descartável para pessoas, a gente consegue superar os nossos tropeços e traumas com mais habilidade e rapidez. Ou ao menos, eles passam a pesar menos nas nossas costas.

Resumindo tudo: A vida já me pregou tantas peças, já me causou tantas cicatrizes, que hoje eu aprendi a me amar mais. Quem me vê, me vê sempre com um sorriso tatuado no rosto e ó, é melhor se acostumar porque vai ser sempre assim. Sabe como é: tenho andado sem tempo para a infelicidade.


Wesley Néry

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