17 março 2016

No mundo da lua



  Se perder, meu verbo favorito. Ou pelo menos, costumava ser. Perdi as contas de quantas vezes mergulhei em pessoas rasas, sem profundidade alguma. Gostava de idealizar sentimentos que só existiam em minha imaginação criativa. Acreditar em sapos que pareciam príncipes. Ver luz na escuridão. Sorrir quando tinha vontade de chorar. Fazer o quê. Eu só queria viver cada pedacinho de vida com a maior intensidade possível. Como toda garota, eu só queria que minha vida fosse como um filme.
    É, um filme. Sabe aquelas cenas ''garota-conhece-garoto'' e de repente tudo começa a fazer sentido? Então. Toda e qualquer pessoa que ousasse passar pela minha vida era tachada como ''é ele''. E ele era ele por uns dias. Talvez meses. Nada mais que isso. Como toda boa ilusão, todas tinham seu fim. E era aí que eu me perdia. Tentava agarrar fios invisíveis de esperança. Rebobinar o filme. Peraí, vamos começar de novo. Agora será que dá certo? Finge que nada aconteceu. Finge que tu não é um idiota. Vamos fingir mais um pouco. Por favor. Eu preciso precisar de alguém. Eu preciso sentir o que é amor, e não só escrever sobre ele. Por que não é fácil como nos filmes? Você só precisa ser ele.
   Tudo bem, eu me rendo. Ele não era ele coisa alguma. Era só mais uma projeção da minha mente, e bem, não podemos tratar pessoas como projetos pessoais. Eu sabia disso, ok? O amor não é assim tão banal, e não pode ser encontrado a cada esquina. Mas por que tinha de ser assim tão difícil? Tão impossível? Eu não queria muito. Eu só queria alguém que assim como eu, estivesse perdido por aí. Conhecendo e desconhecendo pessoas. Achando sentir, tentando amar, iludindo a si mesmo. Eu precisava de alguém que também estivesse precisando de mim.
   Foi aí que desisti. Convenci-me daquilo que já sabia desde o início, a vida não era assim tão mágica como nos filmes. Ainda assim, era muito bonita. Linda mesmo. E me apaixonei por ela. Passei a observar casais, e imaginar o que os prendia naquele olhar hipnótico. Eu nunca tive aquele olhar. Tentava adivinhar se suas histórias eram de arrancar suspiros, ou se fora mais um encontro casual do destino. Minhas histórias nunca arrancaram suspiros por tempo suficiente. No máximo um suspiro de indignação. Talvez eu estivesse mesmo destinada a viver aqueles filmes de drama onde a protagonista tenta ser feliz de todas as formas e no fim descobre que felicidade é um estado de espírito, não um destino a se alcançar. Bem clichê. Do jeito que eu gosto. É, talvez.
   O jeito era seguir a vida com normalidade, e esquecer todos os meus sonhos cor de rosa. Sem príncipes, princesas, vestidos, carruagens. Somente pessoas e todos os problemas que traziam consigo. Não se engane, eu ainda esperava por ele. Só estava cansada de procurar. Meu corpo e alma não aguentavam mais depositar esperanças em quem não tinha futuro algum. Eu precisava arrumar as malas e me despedir do mundo da Lua. Alô Terra, estou voltando.
  E bem, como todo e qualquer clichê, quando eu estava distraída e cansada demais para procurar por ele, ele apareceu. Assim mesmo. Sem pedir licença, e sem educação alguma. Virou meu mundo de cabeça pra baixo, e transformou todas minhas certezas em dúvidas. Ele não chegou em um cavalo branco, e nosso primeiro beijo não foi debaixo de chuva. Mas ainda assim eu tinha certeza que era ele. Porque eu senti alguma coisa pela primeira vez. Alguma coisa. Eu não sei o que é ainda, eu só sei que é único, faz o coração bater mais forte, me tira o sono, e parece que vai me consumir em chamas. Você já sentiu alguma coisa? Então você sabe do que estou falando.


Isabela Freitas

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