26 maio 2016

Viagem sem volta





   Acordar feliz. Eu não fazia ideia do quanto isso era difícil, quero dizer, nos últimos meses até levantar da cama havia se tornado uma tarefa árdua. Abrir os olhos, se despedir dos sonhos. Alô realidade, sou toda sua. Compromissos, satisfações, problemas. Ah, problemas. A gente precisa parar com essa mania de colocar os problemas em uma mala e sair carregando por aí como se eles fossem essenciais. Não são. Aliás, tudo que te faz mal é completamente descartável.
   Desapegar; remover da sua vida toda e qualquer coisa que te atrase, reprima, e faça o coração se sentir pesado.
   Como se fosse assim tão fácil. O desapego não vem na mesma velocidade que o apego. E quem diria, nós, apegados a problemas. Acho que faz parte do instinto dramático do ser humano. Precisamos de ter algo para reclamar. Gostamos de ser nos sentir vítimas do destino. Por que comigo? Tudo dá errado na minha vida. Nunca vou ser feliz.
   É. Você nunca vai ser feliz se não se permitir. Desapegue. Desocupe lugares. Incinere o velho para abraçar o novo. O passado só existe em fotografias, as pessoas mudam, o coração cicatriza. Aquele que se recusa à mudar, se recusa a ser feliz. Mude o cabelo, as roupas, o quarto, as unhas. Só não se esqueça de estar em constante transformação. Só é feliz aquele que aceita as mudanças com um sorriso no rosto.
   Foi difícil, quase impossível, mas eu abandonei a minha mala de problemas em uma esquina da vida. Era tralha para todos os lados, fiquei até com vergonha de deixar aquilo ali no meio da rua. Virei as costas e não olhei para trás. Confesso, me senti vazia. E agora? O que iria ocupar o meu coração? Foi uma sensação no mínimo estranha. Meu coração palpitava por algo que eu não sabia ao certo definir. Ele simplesmente se acelerava, assim mesmo, sem motivo algum. O sorriso se abria com facilidade. Os olhos, insistiam em brilhar sem pedir permissão. É grave doutor? É sim, menina. Se permitir ser feliz talvez seja a coisa mais arriscada que você já fez em toda sua vida. Não é fácil, nunca é. Mas você consegue.

Preparada para sua viagem sem volta?



Isabela Freitas

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