18 julho 2016

ADEUS ÚLTIMA HORA DE VISUALIZAÇÃO



Sinto-me uma guerreira, mais um dia que eu sigo firme no processo de “desintoxicação da última visualização”. Eu sei que parece bobo, entretanto acho que mereço uma daquelas medalhas só pelo esforço porque, convenhamos, o processo realmente é penoso. Faz duas semanas que eu consegui me libertar da espiadinha de 5 em 5 minutos, e agora eu vejo só de 1 em 1 hora. O quê? Não me julgue! Estou no processo, lembra? Não disse que já tinha finalizado... Consigo ouvir você dizendo “não seja trouxa” e balançando a cabeça para os lados em negação, eu sei, eu sei, também penso nisso. E para aliviar a trouxisse diária eu às vezes falo em voz alta a frase: "E-U S-O-U I-D-I-O-T-A", assim, desenhando no ar as palavras em letras grandes e garrafais, sem esquecer da pausa em cada letra para dar mais ênfase ao significado.
Nesses momentos lembro-me da minha mãe, quando me dava surra de sílabas na infância: “IS-SO-É-PRA-VO-CÊ-A-PREN-DER". Ela dava pequenos tapinhas para, segundo ela, me fazer entender as coisas erradas porque, aparentemente, eu sempre tive tendência a escolher o pior para mim.
Porém, como uma boa otimista, me convenço: é a lei do universo, as coisas dão errado, certo? De qual outra forma eu aprenderia?
A verdade é que sinto falta dele... e como sinto! Quando me lembro do sorriso, o jeito que me olhava, até o silêncio confortável; e momentos depois me lembro da sua indiferença, eu então sinto o caroço se formar na minha garganta; tento inutilmente empurrar a saliva garganta abaixo enquanto respiro fundo imaginando que o melhor mesmo a fazer é me afastar.
Eu sei que ele não me merece, que há outros caras que me querem, que eu sou boa demais para ele. Mas bato forte no peito exigindo do coração um chega, de insistir, de me prolongar onde não sou bem vinda, de tentar forçar para ficar, de pedir para ser amiga, e até de pensar em frases prontas só para ter o que conversar.
Agora eu sei, com pesar no coração, que eu fiz e tentei de tudo. Me sinto feliz porque o fardo aos poucos está indo embora; não dá para implorar amor, não dá para se espremer dentro de si por minutos forjados de felicidade em falar com alguém que não te nota. Não te quer. Não te merece.
Posso dizer com propriedade: as palavras não me afetam mais. Devo finalmente estar aprendendo, como minha mãe tanto queria que eu aprendesse. Deve ser isso o significado de crescer, entender que, por mais que algumas coisas doam dentro de você, a vida é muito curta para ser desperdiçada com quem não quer ficar ao seu lado.

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